Seu app lixeiro profissional
Nesta edição #17, vamos falar de um app que, na minha opinião, tem se tornado necessário para quem quer começar a sair do esgoto das redes sociais.
Salve, moçada, beleza? Por aqui passando tanto calor que não me lembro mais a última vez que passei frio. Pelo menos consegui ir pra praia no Carnaval, fugir da muvuca, fazer churrasco com amigos e fazer trilha sozinho pra remoer as lembranças do meu finado cachorro Sabugo.
Semana passada a Appetrecho estava de folga, mas a folga foi tanto pra mim quanto pra vocês também – eu to ligado que é muito conteúdo, muita newsletter, muita coisa. Tomara que vocês tenham tido um bom feriado.
E essa semana começou legal pra mim: desenvolvi uma extensão para navegador que serve basicamente como porta de entrada para o conteúdo do Núcleo Jornalismo, e ela já foi aprovada na loja do Chrome Web Store.
Queria pedir para que vocês dessa newsletter baixem a extensão, testem, me deem feedback e, se possível, uma nota boa na loja (quem sabe até um comentário?). Em uma edição futura eu vou explicar o processo de criar uma extensão – foi bem mais sussa do que eu pensava.
Brigando com o lixo
Pra quem lê o Núcleo não é nenhuma surpresa a minha decepção com o novo Twitter, rebatizado por seu dono de X. Goste ou não de Elon Musk (eu não gosto), a verdade é que o Twitter não é mais o mesmo em quase nenhum aspecto, exceto talvez alguns elementos de design.
O velho Twitter tinha muitos defeitos, inclusive alguns ainda presentes, como desinformação em massa, polarização política, priorização de engajamento em detrimento da qualidade, conteúdo violento e extremista, superficialidade de debates, entre outras coisas.
Mas pelo menos três coisas essenciais eram muito melhores: 1. era um bom lugar para ler e divulgar notícias 2. a administração anterior pelo menos tentava resolver seus problemas 3. havia mais transparência de dados e políticas.
Isso tudo foi obliterado, e o novo Twitter (ou X) agora nada mais é do que uma máquina de propaganda política de extrema direita de seu dono e do atual establishment político dos EUA.
Achar que o X/Twitter é algo mais do que isso é mentir pra si mesmo.
Eu abandonei o Twitter de vez em agosto de 2024, pouco antes de Alexandre de Moraes ordenar o bloqueio da plataforma no Brasil por falta de cumprimento de determinação judicial.
Nessa mesma época, sem saber que o Xandão ia bloquear, o Núcleo estava preparando um manifesto anunciando sua saída da plataforma. Veja esse post se quiser saber mais.
Ainda entro às vezes, por exigência do meu trabalho, mas eu não uso mais a plataforma. E uma ferramenta, mais do que todas as outras, me ajudou nesse processo: o Cyd.
Tire o lixo pra fora
O Cyd é um belo software com uma proposta muito simples: ajudar você a apagar seus rastros no aterro sanitário de Elon Musk. É sério: trata-se de um app muito bem feito, embora não seja necessariamente polido.
Esse app é uma reformulação de outro aplicativo web, o Semiphemeral, que fazia basicamente a mesma coisa, mas utilizava a API pública e gratuita do Twitter, que foi encerrada pela nova administração da plataforma.
Eu falei do Semiphemeral neste post de abril de 2022, bem na época que Musk tava negociando a compra do Twitter.
A ferramenta foi criada por uma equipe liderada por Micah Lee, que trabalhava no site Intercept lá dos EUA. Lee é um hacker ativista de antifascismo e um notório hater de Musk. Quando Cyd ainda era Semiphemeral, havia um disclaimer de que se você seguisse certas figuras da extrema direita, o app automaticamente bloquearia seu uso.

O que o Cyd faz é basicamente automatizar a deleção de posts, likes, mensagens, replies, retweets e outras interações (até mesmo dar unfollow nos outros). Algo que tomaria um tempo enorme (eu tinha milhares de Tweets e RTs e seguia umas 2 mil pessoas), esse app faz automaticamente, sem você ter que se preocupar.
O app cria um banco de dados local no seu computador e faz um backup super bem organizado.
Seus principais recursos são gratuitos, como apagar tweets e retweets, mas se você quiser um pouco mais de granularidade (tipo escolher apagar apenas tweets com menos de 100 RTs ou 500 likes, por exemplo), a ferramenta oferece uma assinatura paga que custa US$36 por ano — esse pacote também inclui apagar DMs, dar unfollows e remover likes e bookmarks.
Recentemente o Cyd incluiu em seu plano pago fazer uma migração de seus tweets para o Bluesky, algo que eu testei recentemente e deu certo – embora eu não veja tanto valor nesse aspecto, alguns tuiteiros mais apegados podem ver.
30%
de desconto na compra da assinatura do Cyd. E não, o Núcleo não ganha nada em cima disso, é só um benefício que eu negociei diretamente com o Micah. >> Se quiser apoiar o Núcleo com apenas R$10, clique aqui.
O Cyd está disponível para Windows, Mac e Linux e pode ser baixado (e usado) de graça neste link.
Ferramentaria
- Beeper — Baixei para testar esse app que reúne, em uma só interface, um agregado de aplicativos de mensagens, como Telegram e WhatsApp. É desenvolvido pela Automattic, desenvolvedora do Wordpress. Ainda estou decidindo se confio nesse app, por isso vou testar com um telefone alternativo que eu tenho. É de graça e tem pra Android, iOS, Linux, Mac e Windows.
- Trace — Ferramenta para MacOS que ajuda a registrar o tempo que a gente passa no computador. Baixei recentemente para testar, pois faço muitos projetos paralelos e preciso me organizar melhor. Custa US$25.