Seu editor de texto tem muita coisa

Nesta edição #2, vamos falar de editores de texto minimalistas e como eles podem ajudar no dia a dia

Salve, moçada, Sérgio Spagnuolo aqui. Essa newsletter já tem cerca 1.000 inscritos, cresceu rápido a criança. 

A Appetrecho é um projeto autoral meu, mas no Núcleo ninguém faz nada sozinho. Gostaria de mandar um alô pra toda minha equipe, que tem ajudado a promover e integrar essa parada. 

Também queria dar uma grito pra todo mundo que comentou a newsletter passada, especialmente o meu amigo Guilherme Rech, que é usuário do navegador Opera e fez questão de salientar que é bom pra caramba (eu concordo).


Minimalismo como recurso

Suponha que você está caminhando na rua, feliz, e por acaso encontra uma pedra no chão. Se você arremessar essa pedra pro alto, há 50% de chance de cair em cima de um editor de textos. Simplesmente há muitos e muitos deles por aí. Um deles é preponderante: o Microsoft Word.

Eu odeio o Word. Não é o pior aplicativo. Sequer é um aplicativo ruim. Mas eu odeio o Word com a intensidade do colapso de mil supernovas.

O motivo é que o Word é impositivo. Sua onipresença em empresas e praticamente qualquer PC de fábrica significa que você vai precisar trabalhar com ele mais cedo ou mais tarde, não importa se gosta ou não. Os outros nos mandam arquivos .docx presumindo que a gente usa. O nervo!

Mas eu aboli o Word do meu cotidiano desde que saí da Reuters, em 2013. Ele é lento, complicado e tem coisa demais, é tipo aqueles canivetes suíços gigantes e desengonçados que possuem trocentas ferramentas, mas na verdade você só precisa de algumas.

Quando eu uso um editor de texto, eu quero escrever. A formatação precisa ser rápida (para que eu possa usar o mouse o mínimo possível), as distrações precisam ser diminuídas, os recursos têm que ser fáceis de acessar e os formatos de compartilhamento têm que ser os que eu quiser (inclusive, do .pdf ao .docx).

Eu quero um editor de texto minimalista.

Não um app de notas, não um espaço pra rascunhar e anotar entrevistas e certamente não um lugar pra diagramar um trabalho acadêmico. Um editor mesmo.

É por isso que eu vou falar do iA Writer, meu app de escolha (mas não o único) para escrever textos há quase uma década.

PS: Eu adoro editores de texto e vamos falar muito deles aqui.


1. Minimalismo

Às vezes não tem jeito: temos que usar Word ou Google Docs, seja para colaborar em documentos de maneira mais integrada ou por imposição das circunstâncias. Eu mesmo uso Google Docs com mais frequência do que gostaria, muito por causa da Jade, nossa sócia e diretora de operações no Núcleo. 

Mas se o seu negócio é sentar e escrever, um editor de texto minimalista vai longe. 

Veja abaixo a minha tela do iA Writer enquanto escrevo isso.

Print de tela do meu editor de texto com 5 parágrafos marcados com Markdown

Estou usando tela cheia, a fim de evitar distrações, e não tenho nenhuma barra de ferramentas à vista (tem como mostrar, mas ela não oferece muitas coisas). 

Visualmente é só isso. Mas sob o capô a coisa fica ainda mais interessante porque, ao contrário do Word, os recursos do iA Writer são usados passivamente, ou seja, você não precisa ficar clicando em botões ou ativando atalhos o tempo todo. 

Suas configurações já estão em execução, umas vez estabelecidas você não precisa se preocupar com elas, só quando for alterá-las.

Uma delas, que eu gosto muito, é o Focus Mode, que destaca o parágrafo em que estou trabalhando. Isso me permite concentrar no momento em que estou escrevendo. Com um simples comando no teclado (CMD+D, no meu caso), esse modo pode ser desativado, eu volto a enxergar tudo normalmente.

Outra coisa, talvez ainda melhor, é a capacidade de configurar o editor para ressaltar em amarelo todos os adjetivos que eu utilizo (às vezes preciso me policiar com isso pra não pesar a mão). Dá pra fazer o mesmo com pronomes, advérbios, verbos e conjunções. Funciona melhor em inglês, fato, mas é razoável em português.

O iA Writer também tem uma função que eu comecei a usar há pouco tempo, mas que é muito útil: os chamados Wikilinks. São links internos que permitem que você navegue entre documentos com muita facilidade. 

Por fim, ele faz coisas normais que um editor permite, como tabelas, sumários, citações, quebras de página etc.


2. O poder da facilidade

Toda formatação é feita em Markdown, uma linguagem de marcação criada por John Gruber em 2004 (ele inclusive tem um blog que eu adoro, o Daring Fireball).

Markdown é vida: esse recurso facilita muito a escrita sem interrupções. Você não precisa utilizar mouse nem rodar atalhos de teclado, o único requisito é continuar digitando. É igual café bom: uma vez que se acostuma, não tem mais como voltar atrás.

Muita gente alheia ao mundo dos editores de texto pode achar complicado à primeira vista, mas Markdown é basicamente uma forma simplificada de formatação de texto. Você inclusive já deve usar no WhatsApp ou no Telegram, já que colocar um texto em negrito usando *asteriscos* ou em itálico usando _underline_ é uma função baseada em Markdown, por exemplo. Até mesmo o Google Docs aceita um pouco de Markdown e há plugins para Word também.

Uma vez terminado seu documento, você clica em preview e ele vai mostrar exatamente o visual de seu arquivo final.

Print de tela do meu editor de texto com tela em Markdown renderizada
IA Writer está disponível para Mac, Windows, iOS e Android. 

3. Não é de graça

Como muitos softwares bons, compreensivelmente o iA Writer não é gratuito. Ele custa R$100 para Windows e uma pedrada de R$249,90 para Mac.

Só que, ao contrário de muitos apps por aí, como Evernote, Ulysses e Bear, ele não cobra mensalidade. Comprou uma vez, já era. Dei sorte de ter adquirido em 2015 quando era bem mais barato, e até hoje nunca fui cobrado por nenhuma atualização.

Se você busca alternativas minimalistas, há o WriteMonkey (totalmente de graça) e Typora (R$59). Não possuem a mesma elegância e os mesmos recursos do iA Writer, mas são bem ok. Se você curte um rolê mais raíz, com cara de anos 90, pode testar o FocusWriter (esse eu não testei).


Ferramentaria

  • Perplexity.ai – Eu tento não gostar, mas esse mecanismo de busca com inteligência artificial é bem útil. Eu não acredito em tudo que ele diz, mas felizmente é um dos poucos que destaca (no topo) links de referências, eu consigo achar coisas com rapidez e facilidade.Clientes da Vivo têm um ano de acesso grátis à versão PRO, já que a Telefónica é uma das investidoras.
  • Standard Notes – Esse é um app sensacional e uso há anos: é um editor de texto, mas não necessariamente pra você ficar escrevendo nele, como faria no iA Writer, no Word ou no Google Docs. Ele é um app de texto ultra seguro, onde você pode guardar suas notas que precisam da maior confidencialidade possível. Coisas como senhas, notas de investigações, textos sigilosos e outras coisas mais. Dá pra usar de graça, mas tem versão paga turbinada com preço especial pra quem mora em países em desvantagem com o dólar (como o Brasil)


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